sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As Águas de Òsàlá, você sabe porque fazemos?



As Águas de Òsàlá, você sabe porque fazemos?

Òsàlá é a grande Divindade do Candomblé, considerado o "Òrìsà dos Altos" (Òrìsà Nlá) é sem sombra de dúvidas, das Divindades que se manifesta, a mais respeitada em todo o Brasil. É considerado o dono do branco e por essa razão é chamado de Òrìsà Funfun. Em suas obrigações, todos os seguidores do Candomblé, sejam iniciados para Òsàlá ou não, se vestem d
e branco em sinal de respeito e devoção. Ele é o grande detentor de Asè e por isso o chamamos de "Alábáláàsè".

Òsàlá é festejado numa cerimônia denominada "águas de Òsàlá". Esse ritual é um dos mais bonitos do Candomblé. Nele, ocorre uma procissão na qual os objetos de adoração à Òsàlá são depositados num local sagrado. Após isso, todos os filhos da casa dormem no salão principal, onde está plantado o Asè da casa. Na aurora do dia seguinte, todos os omo Òrìsà, rigorosamente vestidos de branco, acordam em silêncio para carregarem em procissão, a água retirada da fonte consagrada à Òsàlá e que será utilizada para lavar os objetos sagrados do Deus, constantes no local sagrado. 

Mas afinal, porque realizamos essa linda cerimônia chamada de “Águas de Òsàlá”? Abaixo, transcrevemos a história que justifica esse ritual que é realizado no Terreiro de Òsùmàrè.

"Òsálúfon, rei de Ifon, decidira visitar Sàngó, o rei de Òyó, seu amigo. Antes de partir, Òsálúfon consultou um Babaláwo para saber se sua viagem se realizaria em boas condições. O babaláwo respondeu que ele seria vítima de um desastre, não devendo, portanto, realizar a viagem. Òsálúfon, porém, tinha um caráter obstinado e persistiu em seu projeto, perguntando que sacrifícios poderia fazer para melhorar a sua sorte. O babaláwo lhe confirmou que a viagem seria muito penosa, que teria de sofrer numerosos reveses e que, se não quisesse perder a vida, não deveria jamais recusar os serviços que, por acaso, lhe fossem pedidos, nem reclamar das conseqüências que disso resultassem. Deveria, também, levar três roupas brancas para trocar e "Ose dudu" (Sabão da Costa). Òsálúfon se pôs a caminho e, como fosse velho, ia lentamente, apoiado em seu cajado de estanho. Encontrou, logo depois, Èsù Elèpo Pupa (Èsù dono do Azeite de Dendê), sentado à beira da estrada com um barril de azeite de dendê ao seu lado. Após uma troca de saudações, Èsù pediu a Òsálúfon que o ajudasse a colocar o barril sobre a sua cabeça. Òsálúfon concordou e Èsù aproveitou para, durante a operação, derramar, maliciosamente, o conteúdo do barril sobre Òsálúfon, pondo-se a zombar dele. Este não reclamou, seguindo as recomendações do babaláwo; lavou-se no rio próximo, pôs uma roupa nova e deixou a velha como oferenda. Continuou a andar com esforço, e foi vítima, ainda por duas vezes, de tristes aventuras semelhante a primeira, no entanto, com Èsù-Eléèdu (Èsù dono do Carvão) e Èsù Aláàdì (Èsù dono do àdì "óleo da amêndoa do dendezeiro). Òsálúfon, sem perder a paciência, lavou-se e trocou de roupa após cada um das experiências. Chegou, finalmente, à fronteira do reino de Òyó e lá encontrou um cavalo que havia fugido, pertencente a Sàngó. No momento em que Òsálúfon quis amansar o animal, dando-lhe espigas de milho, com a intenção de levá-lo ao seu dono, os servidores de Sàngó, que estavam à procura do animal, chegaram correndo. Pensando que o homem idoso fosse um ladrão, caíram sobre ele com golpes de cacete e jogaram-no na prisão. Sete anos de infelicidade se abateram sobre o reino de Sàngó. A seca comprometia a colheita, as epidemias acabavam com os rebanhos, as mulheres ficavam estéreis. Sàngó, tendo consultado um babaláwo, soube que toda essa desgraça provinha da injusta prisão de um velho homem. Depois de seguidas buscas e muitas perguntas, o prisioneiro foi levado à sua presença e ele reconheceu seu amigo, Òsálúfon. Desesperado pelo que havia acontecido, Sàngó pediu-lhe perdão e deu ordem aos seus súditos para que fossem, todos vestidos de branco e guardando silêncio em sinal de respeito, buscar água três vezes seguidas a fim de lavar Òsálúfon. Em seguida, este voltou a Ifon, passando por Èjìgbó para visitar seu filho Osògiyán, que, feliz por rever seu pai, organizou grandes festas com distribuição de comidas a todos os assistentes.

Assim sendo, pelo dia de hoje, pedimos ao nosso Pai Òsàlá que cubra todos com o seu Alá, trazendo paz, harmonia e felicidade!!!

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A ORIGEM SEGUNDO O CANDOMBLÉ



Há pouco mais de um mês, o Terreiro de Òsùmàrè iniciou uma série de postagens com objetivo de esclarecer os adeptos e simpatizantes do Candomblé, sobre a nossa rica cultura, bem como, postar matérias com temas concernentes aos Deuses Africanos e Candomblé, de modo geral.

Nesse período falamos de assuntos importantes como: a razão de Ògún usar o Mariwo como sua veste, a razão de não utilizarmos máscaras nos Òrìsàs. 

Falamos sobre o Olugbajé, discorremos sobre o motivo de o Arco-Íris representar o nosso patrono, Òsùmàrè, sobre os Àbíkú, Sàngó, Yánsàn, dentre muitos outros temas relevantes.

Hoje vamos falar do princípio de tudo segundo a visão dos Yorùbás. Todas as religiões acreditam num modo de criação do mundo e, com o Candomblé não é diferente. Dessa forma, transcrevemos abaixo, uma das mais importantes histórias do oráculo de Ifá, publicado por Juanita Elbein dos Santos, que discorre sobre a criação do mundo em que vivemos.

Quando Olórun decidiu criar a terra, chamou Obàtálà, entregou-lhe o Àpò Ìwà (saco da existência) e deu-lhe as instruções necessárias para a realização da magna tarefa. Obàtálà reuniu todos os Òrìsà e preparou-se, sem perda de tempo. De saída, encontrou-se com Odùduwà que lhe disse que só o acompanharia após realizar suas obrigações rituais, já no Òna-Òrun, caminho, Obàtálà passou diante de Èsù. Este, o grande controlador e transportador de sacrifícios que domina os caminhos, perguntou-lhe se já tinha feito as oferendas propiciatórias. Sem se deter, Obàtálà respondeu-lhe que não tinha feito nada e seguiu seu caminho sem dar mais importância a questão. E foi assim que Èsù sentenciou que nada do que ele se propunha empreender seria realizado.

Em efeito, enquanto Obàtálà seguia seu caminho começou a ter sede. Passou perto de um rio, mas não parou. Passou por uma aldeia onde lhe ofereceram leite, mas ele não aceitou. Continuou andando. Sua sede aumentava e era insuportável. De repente, viu diante de si uma palmeira ("Igi-Òpe" - Dendezeiro - "Elaeis Guineenssis") e, sem se poder conter, plantou no tronco da árvore seu cajado ritual, o Òpásóró, e bebeu a seiva ("emú" - vinho de palma). Bebeu insaciavelmente até que suas forças o abandonaram, até perder os sentidos e ficou estendido no meio do caminho.

Nesse meio tempo, Odùduwà, que foi consultar Ifá, fazia suas oferendas à Èsù. Seguindo os conselhos dos Babaláwos, ele trouxera cinco galinhas, das que têm cinco dedos em cada pata, cinco pombos, um camaleão, dois mil elos de cadeia e todos os outros elementos que acompanham o sacrifício. Èsù apanhou estes últimos e uma pena da cabeça de cada ave e devolveu a Odùduwà a cadeia, as aves e o camaleão vivos.

Odùduwà consultou outra vez os Babaláwos que lhe indicaram ser necessário, agora, efetuar um ebo, aos pés de Olórun, de duzentos ìgbín, os caracóis que contêm o "sangue branco", "a água que apazigua", Omí-Èrò. Quando Odùduwà levou o cesto com ìgbín, Olórun aborreceu-se vendo que Odùduwà ainda não tinha partido com os outros. Odùduwà não perdeu sua calma e explicou que estava obedecendo as ordens de Ifá. Foi assim que Olórun decidiu aceitar a oferenda e ao abrir seu Àpére-Odù - espécie de grande almofada onde geralmente ele está sentado - para colocar a água dos ìgbín, viu com surpresa, que não havia colocado no Àpò Ìwà - bolsa da existência - entregue a Obàtálà, um pequeno saco contendo a terra. Ele entregou nas mãos de Odùduwà para que ele, por sua vez, a remetesse a Obàtálà.

Odùduwà partiu para alcançar Obàtálà. Ele o encontrou inanimado ao pé da palmeira, contornado por todos os Òrìsàs que não sabiam o que fazer. Depois de tentar em vão acordá-lo, ele apanhou o Àpò Ìwà que estava no chão e voltou para entregá-lo a Olórun. Este decidiu, então, encarregar Odùduwà da criação da terra. Na volta de Odùduwà, Obàtálà ainda dormia; ela reuniu todos os Òrìsàs e explicou-lhes que fora delegada por Olórun e eles dirigiam-se todos juntos para Òrun Àkàsò por onde deviam passar para assim alcançar o lugar determinado por Olórun para a criação da terra.

Èsù, Ògún, Òsóòsì e Ìja conheciam o caminho que leva às águas onde iam caçar e pescar. Ògún ofereceu-se para mostrar o caminho e converteu-se no Asiwajú e no Olúlànà - aquele que está na vanguarda e aquele que desbrava os caminhos. Chegando diante do Òpó-Òrun-Oún-Àiyé, o pilar que une o Òrun ao mundo, eles colocaram a cadeia ao longo da qual Odùduwà deslizou até o lugar indicado por cima das águas.

Ela lançou a terra e enviou Eyelé, (a pomba), para esparramá-la. Eyelé trabalhou muito tempo. Para apressar a tarefa, Odùduwà enviou cinco galinhas de cinco dedos em cada pata. Estas removeram e espelharam a terra imediatamente em todas as direções, à direita, à esquerda e ao centro, a perder de vista. Elas continuaram durante algum tempo, Odùduwà quis saber se a terra estava firme. Enviou um camaleão que, com muita precaução, colocou primeiro uma pata, tateando, apoiando-se sobre esta pata, colocou a outra e assim sucessivamente até que sentiu a terra firme sobre suas patas (Olé? "ela está firme?" Kole "ela não está firme?").

Quando o camaleão pisou por todos os lados, Odùduwà tentou por sua vez. Odùduwà foi a primeira entidade a pisar na terra, marcando-a com sua primeira pegada. Essa marca é chamada de Esè Ntaiyé Odùduwà. Atrás de Odùduwà vieram todos os outros Òrìsàs, colocando-se sob sua autoridade. Começaram a instalar-se. Todos os dias Òrúnmìlà, consultava Ifá para Odùduwà. Nesse meio tempo, Obàtálà acordou e vendo-se só, sem o Àpò Ìwà retornou a Olórun, lamentando-se de ter sido despojado do Àpò. Olórun tentou apaziguá-lo e em compensação transmitiu-lhe o saber profundo e o poder que lhe permitia criar todos os tipos de seres que iriam povoar a terra ("os trabalhos transcendentais de criação permitir-lhe-iam criar todos os seres humanos e as múltiplas variedades de espécies que povoariam os espaços do mundo: todas as árvores, plantas, ervas, animais, aves, pássaros, peixes e todos os tipos de humanos).

Foi assim que Obàtálà aprendeu e foi delegado para executar esses importantes trabalhos. Então, ele se preparou para chegar à terra. Reuniu os Òrìsàs que esperavam por ele, Olúfón, Eteko, Olúorogbo, Olúwofin, Ògìyán e o resto dos Òrìsàs Funfun. No dia em que estavam para chegar, Òrúnmìlà, que estava consultando Ifá para Odùduwà, anunciou-lhe o acontecimento. Obàtálà, ele mesmo, e seu séquito vinham dos espaços do Òrun. Òrúnmìlà fez com que Odùa soubesse que se ela quisesse que a terra fosse firmemente estabelecida e que a existência se desenvolvesse e crescesse como ela havia projetado, ela devia receber Obàtálà com reverência e todos deveriam considerá-lo como seu pai.

No dia de sua chegada, Obàtálà foi recebido e saudado com grande respeito: "Obá Áláá, seja bem vindo! Oba Nlá (o grande rei) acaba de chegar... Os escravos vieram servir seu mestre..... Oh! senhor dos habitantes do mundo!".

A exemplo de muitas histórias, essa também narra sobre a importância da realização dos sacrifícios, sobre a importância de realizarmos aquilo que o oráculo sagrado nos prescreve e muitas lições que, certamente valem para a vida toda.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!

Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

Òsógiyan, o Guerreiro de Èjìgbó


Osògiyán, também chamado de Ajagunnan, é o filho guerreiro de Òsálúfon, à exemplo do pai é um Òrìsà Funfun, originário de Èjìgbó, onde futuramente tornar-se-ia o "Eléèjìgbó" (Rei de Èjìgbó). Osògiyán é o Òrìsà dono do pilão (odò), nele é preparada sua comida favorita "inhame pilado". Ele também é o dono da árvore de Àtòrì. A importância da árvore Àtòrì é singular n
o culto à Osògiyán e no culto aos ancestrais. Na festa em louvor à Osògiyán os omo Òrìsà dançam com grandes varas de Àtòrì, simulando uma guerra. Na Casa de Òsùmàrè, essa festa é realizada anualmente e nos traz muitas emoções.

Conforme vocês devem ter observado na série de postagens que estamos publicando, estamos tentando elucidar o motivo dos rituais que realizamos, sem obviamente ultrapassar o limite daquilo que só é permitido aos iniciados. Tudo que fazemos tem um porque, uma razão, uma história. Nada é ao acaso. Hoje, vamos assim, explicar a razão de realizarmos ainda nos dias de hoje, o lindo ritual da guerra dos Atori, que alude à uma passagem da vida desse grande guerreiro que é Òsógiyan, conforme segue.

Conta a história que Awoléjé, babaláwo companheiro e amigo de Eléèjìgbò, havia-lhe indicado o que deveria fazer para transformar a aldeia de Èjìgbó em uma grande cidade. Eléèjìgbò seguiu as orientações do seu amigo Awoléjé que por sua vez, saiu de Èjìgbó para outro povoado distante. Em alguns anos, a o pequeno povoado de Èjìgbó tornou-se uma grande cidade com portas fortificadas, guardas e um palácio. Eléèjìgbò vivia em grande estilo e era costume, quando se falava de sua pessoa, designá-lo pelo termo bajulador Kábiyèsi ('Sua Majestade Real'). Ao cabo de vários anos, Awoléjé voltou e, embora babaláwo, nada sabia da grandeza de seu amigo, Osògiyán. Chegando ao posto da guarda, na porta da cidade, pediu familiarmente notícias do Ògiyán. Os guardas surpresos e indignados com a insolência do viajante para com o soberano do lugar agarraram Awoléjé, bateram-lhe cruelmente com varas de Atori e o prenderam. O babaláwo ferido vingou-se utilizando seus poderes, atacando uma maldição (Epe) sobre a cidade. Èjìgbó conheceu então anos difíceis: não chovia mais, as mulheres ficaram estéreis, os cavalos do rei não tinham mais pasto e outros dissabores. Eléèjìgbò fez uma pesquisa e soube da prisão de Awoléjé. Ordenou imediatamente que o pusessem em liberdade e pediu-lhe para perdoar e para esquecer os maus-tratos de que fora vítima. Awoléjé concordou, mas com uma condição: 'No dia da festa de Osògiyán, os habitantes de Èjìgbó deveriam lutar entre si, com golpes de varas de Àtòrì, lembrando que ele, Awoléjé havia sido de forma cruel espancado.

Até os dias atuais, no Terreiro de Òsùmàrè, nas festas dedicadas à Òsógiyan, é entoada uma cantiga que narra essa história com perfeição, mencionando a maldição que Awoléjé jogou sobre Èjìgbó durante anos...

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

Òrìsà Oko é o Deus da Fazenda



Òrìsà Oko é o Deus da Fazenda, o Deus da Agricultura, uma Divindade de suma importância na Cultura Yorùbá, mas pouco conhecido no Brasil. No Terreiro de Òsùmàrè ele é festejado há séculos, por meio de obrigações internas e cânticos que destacam o seu grande poder sobre a agricultura. No Candomblé, a exemplo das folhas e água, usamos em abundância os grãos, tubérculos e frutos que a agricultura nos
fornece, razão que já evidencia quão importante esse Òrìsà é para a nossa cultura. 

Uma antiga história Nàgó, conta que um grupo de pessoas de uma cidade resolveu tramar contra “Olasi”, eles falaram que quando Olasi saísse da sua fazenda eles iriam roubá-lo e bater nele. Essas pessoas tinham grande inveja de Olasi, pois ele tinha grande facilidade em cultivar a terra.

Quando Olasi ficou sabendo da intenção dos seus inimigos, resolveu consultar Ifá, o grande Deus do Oráculo. Ifá disse à Olasi que ele deveria permanecer em sua fazenda por um longo período, cuidando das coisas da terra e que não retornasse à cidade, num período mínimo de um ano. Assim Olasi fez. Nesse período, as pessoas da cidade próxima a fazenda de Olási começaram a passar por grandes dificuldades. As mulheres não engravidavam mais... Os homens não conseguiam trazer alimentos para casa... Toda a cidade ficou em caos. 

Nesse período, Olási ficou plantando tudo o que conseguia, criando dessa forma, uma grande produção. Na fazenda de Olasi havia de um tudo. Inhame, milho, feijão, Obì, tudo em abundância. Mas ninguém da cidade desfrutava de toda essa fartura, pois Olasi não retornou mais à cidade. 

Prestes de completar um ano, um ancião da cidade consultou Ifá para saber o que a população deveria fazer para que tudo voltasse ao normal. Por meio do jogo, ele descobriu que tudo o que estava acontecendo foi em razão da traição que algumas pessoas da cidade iriam fazer à Olasi. Ifá disse ao ancião, que ele deveria reunir todas as pessoas da cidade e que juntos, eles deveriam ir à fazenda (Oko) de Olási, levando bebidas, tambores e tocando flautas. Quando lá chegassem deveriam pedir perdão à Olasi, pedindo que ele regressasse à cidade.

No outro dia, o ancião reuniu a população da cidade e comunicou o recado de Ifá. Todos foram tocando tambores até a fazenda, quando lá chegaram ficaram maravilhados com tanta fartura, com tantos inhames, com tanto milho. Quando Olasi foi recebê-los eles começaram à gritar: “Òrìsà Oko!!! Òrìsá Oko!!! Òrìsà Oko!!!” (Deus da Fazenda, Deus da Fazenda, Deus da Fazenda). 

A partir daquele momento, ele nunca mais foi chamado de Olasi, todas as pessoas o chamavam de “Òrìsà Oko”. Ele perdoou a população, mas disse que, todos os anos as pessoas deveriam fazer uma grande procissão agradecendo por tudo de bom que a terra lhes oferecia. Òrìsà Oko deu a população muitos grãos e inhames e eles voltaram para a cidade em procissão, agradecendo à Òrìsà Oko.

Assim nasceu a procissão de Òrìsà Oko, o Deus da fazenda, o Deus da Agricultura.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Afùwàpé, aquele que soube escolher o melhor Orí



Afùwàpé, aquele que soube escolher o melhor Orí

Recentemente, publicamos uma postagem, discorrendo sobre a importância singular de Orí em nossas vidas, mencionamos que ele é o primeiro a ser louvado. Hoje, vamos aprofundar um pouco mais sobre essa importante Divindade, pois acreditamos que esse tipo de conhecimento é fundamental para toda a população do Candomblé.

Orí é a cabeça que norteia todo
s os seres-humanos e "Apéré" é seu suporte, por essa razão, sempre que louvamos Orí, evocamos também o seu suporte "Orí Apéré-oooooo!", bem como o Orí Inú (encéfalo) "Orí Inú-oooo!" .

Acreditamos que "Àjàlá Mopin" é a Divindade à qual Olodúnmarè atribuiu a responsabilidade de "modelar" o Orí das pessoas. Muito embora Àjàlá seja habilidoso na "arte de moldar cabeças", por vezes ele comete erros e então surgem os "Orí Buruku", que são as "cabeças defeituosas". Cremos que mesmo antes do nascimento, escolhemos nosso Orí, pedindo-lhe junto à Àjàlá Mopin. Essa "solicitação" é denominada "Àkúnlèyàn", nesse momento o indivíduo "acorda" a sua permanência no Àyé, dentre outros aspectos de sua vontade. Isto posto, Àjàlá Mopin dá a pessoa aquilo que os yorùbás chamam de "Akúnlègbà", que é na verdade uma espécie de "mola propulsora" para que os "desejos acordados" sejam realizados. Por fim, Àjàlá Mopin, concede "Àyànmò" que é a parte do destino que mesmo através da mediação dos Òrìsàs não será jamais alterada. Ou seja, "Àkúnlèyàn" e "Akúnlègbà" podem sofrer alterações ao longo da vida. Essas alterações são possibilitadas por meios de oferendas, as quais são vislumbradas através do oráculo ou pela "fala" dos Òrìsàs, entretanto, aquilo que fora determinado em "Àyànmò" jamais sofrerá mudanças. 

A afirmação de que nós mesmos escolhemos nosso Orí é fundamentada através de um Itán, publicado por Abimbola, o qual diz que Ifá foi consultado para "Orísèékú", "Orílèémèrè" e "Afùwàpé". Quando eles foram escolher seus respectivos Orí junto à Àjàlá Mopin, o grande moldador de cabeças, Ifá determinou que eles fizessem sacrifícios de modo que escolhessem um bom Orí para o seus destinos. Orísèékú e Orílèémèrè ignoraram a recomendação de Ifá e, somente Afùwàpé fez o que lhe fora designado. Como consequência, Afùwàpé teve muita sorte e prosperidade em sua vida, haja vista que, graças aos sacrifícios realizados, ele escolheu o "Orí certo" (Orí Réré). No entanto, Orísèékú e Orílèémèrè, que não seguiram a determinação de Ifá não tiveram a mesma sorte. 

Abaixo, transcrevemos uma variante do Itán de Ifá, respeitante a saga de Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé rumo à Terra. 

"Ifá foi consultado para Orísèékú, o filho de Ògún, para Orílèémèrè, o filho de Ìjá e para Afùwàpé, o filho de Òrúnmìlà, no dia que eles iam para a casa de Olódúnmarè escolher suas cabeças. Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé eram amigos, um dia eles se reuniram e decidiram que iriam para a Terra e lá, eles se estabeleceriam e seriam prósperos, sendo que, para eles, a Terra seria um lugar melhor do que o céu. 

Eles pediram conselho aos Àgbàlágbà (anciões), que disseram que antes deles viajar, eles deveriam ir até Àjàlá escolher suas cabeças. Eles foram advertidos assim: "quando vocês forem, vocês não devem virar à direita, e nem ir diretamente para a casa de Àjàlá, até mesmo se um de vocês ouvir a voz do pai, vocês não devem ir diretamente para a casa de Àjàlá". Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé, prometeram aos Àgbàlágbà que atenderiam as advertências. Depois de caminhar por muito tempo, eles encontraram Afabéré-Gúnyán ("aquele que bate inhames com uma agulha pequena"). Eles disseram: "Pai, nós o saudamos"! O pai respondeu: "obrigado"! Orísèékú, Orílèémèrè e Afùwàpé questionaram como chegar até a casa de Àjàlá. Afabéré-Gúnyán disse que eles tinham que terminar de bater o inhame dele primeiro, depois ele mostraria como chegar até lá. Afùwàpé levou a agulha dele e começou a bater os inhames com isto, durante três dias. Quando ele terminou de bater, Afabéré-Gúnyán disse que eles podiam ir, que depois de caminhar mais um pouco, eles deveriam virar à direita, onde encontrariam o Oníbodè (guardião). Eles deveriam perguntar ao Oníbodè como chegar até a casa de Àjàlá. 

Depois de caminharem por algum tempo, eles chegaram, Orísèékú, o filho de Ògún, ficou imóvel, ele ouviu a voz do pai dele, solicitando-o para guerra. Então, Orísèékú pegou suas armas para ajudar seu pai. Orílèémèrè e Afùwàpé o advertiram, dizendo que eles não deveriam ouvir nem mesmo aos seus pais, conforme orientação dos Àgbàlágbà. Eles então, continuaram sua viajem até a casa de Àjàlá. Após terem caminhado por um longo período, eles ouviram Òrúnmìlà, que golpeava o Opon Ifá com seu Iroke, fazendo um grande barulho. Afùwàpé, seu filho, ficou imóvel. Então, os outros dois companheiros exigiram que ele não parasse. Afùwàpé disse que ele não iria até ver o pai dele. Eles o fizeram lembrar da advertência, mas Afùwàpé, recusou abruptamente, insistindo que ele tinha que ver seu pai. Afùwàpé foi até Òrúnmìlà, enquanto Orísèékú e Orílèémèrè prosseguiram a viajem. Quando Òrúnmìlà viu Afùwàpé, ele lhe perguntou aonde ia. Afùwàpé disse que ele ia para a Terra. Òrúnmìlà, então, foi consultar o oráculo para o filho. O destino que se apresentou foi Ogbèyónú. O Oráculo disse: "Òrúnmìlà, seu filho vai fazer uma viagem para a Terra, para ele escolher uma cabeça boa, ele deverá fazer sacrifícios". O que ele deve sacrificar, questionou Òrúnmìlà. "Ele deve oferecer duas bolsas de sal e doze mil búzios". Òrúnmìlà ofereceu todos os materiais e o sacrifício foi realizado. As duas bolsas de sal e os doze mil búzios foram dados a Afùwàpé. Eles falaram que Afùwàpé procedesse na viagem. Quando Afùwàpé saiu da casa de Òrúnmìlà, ele nem não viu Orísèékú nem Orílèémèrè, eles já tinham ido embora. 

Quando Orísèékú e Orílèémèrè alcançaram o Oníbodè, perguntaram-lhe como chegar à casa de Àjàlá. O Oníbodè disse que a casa de Àjàlá era muito longe, senão fosse por isso, ele os levaria até lá. Eles ficaram com muita raiva e perguntaram para outras pessoas, até conseguirem chegar à casa de Àjàlá. Quando lá chegaram, eles não o encontraram e esperaram por dois dias, como Àjàlá não retornou, eles resolveram falar com as pessoas que moravam lá. Disseram que eles haviam vindo escolher suas cabeças, sendo que estavam indo para a Terra. As pessoas da casa mostram-lhes muitas cabeças disponíveis na "loja de Àjàlá". Quando Orísèékú entrou, ele escolheu uma cabeça feita recentemente que ainda não havia sido "levada ao forno". Quando Orílèémèrè entrou, ele escolheu, sem perceber, uma cabeça defeituosa. Orísèékú e Orílèémèrè vestiram suas cabeças de barro e foram rumo à Terra. Restando poucos dias para chegarem, uma forte chuva caiu sobre Orísèékú e Orílèémèrè, essa chuva perdurou por muito tempo e as cabeças deles, começaram a se desfazer, ficando apenas um pequeno plano e assim eles chegaram. Na Terra, eles trabalharam muito, no entanto, eles perdiam tudo o que ganhavam e esse cenário se manteve por uns dez anos, sem qualquer sinal de melhora. Eles resolveram, então, consultar Ifá que através do oráculo disse que tudo que estava acontecendo, era em função das cabeças ruins que eles haviam escolhido e perguntou: "Quando vocês estavam vindo para Terra, vocês foram atingidos pela chuva?" Eles responderam: Sim, nós fomos! Ifá disse: "Quando vocês estavam vindo para Terra, vocês escolheram cabeças ruins! Vocês escolheram cabeças que ainda não haviam sido levadas ao forno. Vocês foram atingidos pela chuva e as cabeças ruins que vocês escolheram, ficaram danificadas, em pedaços, por isso, tudo o que vocês ganham, vocês perdem, sendo que tudo o que vocês conseguirem, será para restabelecer a forma de suas cabeças"... 

Afùwàpé também continuou sua viagem à Terra, depois de ter caminhado por algum tempo, ele chegou até o Oníbodè e lhe perguntou como fazer para chegar à casa de Àjàlá. O Oníbodè disse que lhe mostraria depois, primeiro, ele iria preparar sua comida. Assim, Afùwàpé se sentou e pacientemente ajudou o Oníbodè. Quando Afùwàpé estava ajudando acender o fogo, ele notou que o Oníbodè estava colocando cinzas na sopa. Ele disse: "você está colocando cinzas na sopa". O Oníbodè disse que isso era o que ele sempre comeu. Afùwàpé colocou na sopa, um pouco do sal, que havia trazido consigo e pediu que o Oníbodè provasse aquilo. O Oníbodè ficou impressionado com o gosto e, implorou mais daquela iguaria à Afùwàpé, que concordou, dando-lhe as duas bolsas de sal. Quando eles terminaram de preparar a sopa, Oníbodè se levantou, conduzindo Afùwàpé até a casa de Àjàlá. Quando estavam chegando, eles ouviram alguém gritar. Oníbodè disse que aquele barulho vinha da casa de Àjàlá e que ele não estava em casa, sendo que aquele barulho era provocado por um credor à sua procura e, sempre que o credor aparecia, Àjàlá se escondia. 

O Oníbodè disse à Afùwàpé que se ele tivesse dinheiro, ele deveria ajudar Àjàlá a pagar suas dívidas. Quando Afùwàpé chegou à casa de Àjàlá, ele achou o credor gritando, relinchando como um cavalo. Afùwàpé indagou quanto Àjàlá lhe devia. O credor disse que eram doze mil búzios (nesse aspecto, cabe lembrar que àquela época, os búzios eram moedas correntes). Afùwàpé pegou os doze mil búzios, que havia trazido consigo, e pagou o credor de Àjàlá, quitando toda a sua dívida. Quando o credor foi embora, Àjàlá saltou do teto, onde havia se escondido e, cumprimentou Afùwàpé. Ele perguntou se Afùwàpé achou alguém na casa. Afùwàpé disse: "Sim, achei! Essa pessoa disse que você lhe devia doze mil búzios, então, eu paguei toda a sua dívida". Àjàlá, muito contente, agradeceu Afùwàpé e lhe perguntou o que ele vinha fazer em sua casa. Afùwàpé disse que ele tinha vindo escolher uma cabeça, pois estava à caminho da Terra. Àjàlá pediu-lhe que viesse depois de certo tempo. Passado o tempo pedido por Àjàlá, Afùwàpé retornou e foi escolher sua cabeça. Àjàlá lançou uma vara férrea em muitas cabeças e todas ficavam em pedaços. "Está vendo Afùwàpé, essas cabeças não são boas"! Após muitas cabeças em pedaços, Afùwàpé escolheu uma. Quando Àjàlá lançou a vara de ferro, a cabeça deu um salto, caiu no chão e ficou rodando sem se desfazer. Àjàlá disse que aquela sim era uma boa cabeça e deu à Afùwàpé, que a fixou, dirigindo-se rumo à Terra. 

Quando Afùwàpé estava chegando na Terra, uma forte chuva caiu sobre sua cabeça, a chuva era tão forte e intensa que Afùwàpé quase ficou surto, no entanto, sua cabeça permanecia firme, igual quando havia sido retirada da casa de Àjàlá. Ao chegar na Terra, Afùwàpé começou a comerciar, ele fez bastante lucro, ele construiu uma casa e enfeitou sua porta. Ele teve muitas esposas, ele teve muitos filhos. Depois de algum tempo, ele recebeu o honroso título de Orísanmí. Orísèékú, o filho de Ògún e Orílèémèrè, o filho de Ìjá, lamentaram-se à Afùwàpé. "Onde você escolheu sua cabeça? Porque não nos falou onde escolheria sua cabeça?". Afùwàpé, por sua vez, disse que eles haviam escolhido suas cabeças, todos em um mesmo lugar, o que os diferenciavam era, o destino".

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

DESOBSESSÃO


Desobsessão
Grupo Espírita Dr. Bezerra de Menezes de Guarulhos
Departamento de Orientação Doutrinária




1 - Obsessão:

"É o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certos pessoas. Nunca é praticado senão por espíritos inferiores que procuram dominar" (Livro dos Médiuns, Cap. 23 item 237)

"É a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais." ( O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. 25, item 81)

A obsessão é e sempre foi um dos maiores problemas da humanidade. Difícil de ser tratada por esbarrar na dureza do coração humano. Tratada pela medicina como problema puramente físico, ainda não tem encontrado através dela, um meio de alívio para milhares de seres que sofrem sua ação. É para a ciência, em muitos casos, problema insolúvel, catalogado como resultado da hereditariedade, apesar de a maioria dos casos contestar esta afirmação.

A par com a medicina, a religião oficial vem dando a sua contribuição no âmbito do terror quando diz, que quem sofre um mal deste tipo está endemoniado, tendo que ser exorcizado, o que leva a maioria das pessoas a se afastarem delas por medo de ridículo ou incompreensão, preferindo apesar dos pesares continuar sua peregrinação através dos consultórios.

A Doutrina Espírita, única a dar uma explicação racional sobre o problema, tem se desdobrado através de trabalhadores incansáveis, no sentido de aliviar aqueles que sofrem desse mau, de maneira tranqüila e os trazendo de volta a uma vida saudável.

A obsessão só pode ser racionalmente explicada sob o prisma da doutrina espírita. É uma faceta do relacionamento humano, que continua a se fazer sentir entre os seres, embora já tenham desencarnado alguns e outros continuarem encarnados.

Este relacionamento se mantém devido as ligações boas ou más existentes entre as partes envolvidas que prendem uns aos outros, até que a justiça e o aprendizado inerente a este acontecimento esteja assimilado.

Jesus, como profundo conhecedor da psiquê humana e seus defeitos, deixou escrito o ensinamento que se obedecido livraria o homem desse mau.

"Perdoa, o teu inimigo enquanto estais em caminho com ele, para que ele não te leve a juiz e não te condene, pois se isso vir a acontecer, ficará preso até que pagues o último cetil." (O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Nesta parábola ele nos dá o antídoto. O Amor é o caminho. O perdão, a paciência, tolerância, tudo o que leva as pessoas a um bom relacionamento. Não criando por isso motivos de represálias de ninguém.

Quando criarmos barreiras em nós mesmos, tirando do nosso coração o orgulho, a vaidade, o egoísmo, e vivenciarmos bem com todos em acordo com o evangelho, não existirão mais esses relacionamentos negativos e sim somente os positivos, onde todos serão amigos e ajudarão uns aos outros no caminho evolutivo.

2 - Classificação da Obsessão

Allan Kardec, através dos seus estudos classificou a obsessão por seus estágios, sendo que por isso mesmo, não tem um caráter definitivo, servindo apenas como parâmetro para estudo, uma vez que a obsessão é muito variada em seus aspectos, sendo difícil estabelecer onde uma fase começa e termina a outra.
SIMPLES - É a influência sutil na atitude do espírito, encarnado ou desencarnado.
FASCINAÇÃO - É a ação direta de um espírito sobre o pensamento de outro.
SUBJUGAÇÃO - É a paralisação através da ação mental, que um espírito determina sobre a vontade de outro.
Participantes:
Encarnado para encarnado
Desencarnado para desencarnado
Encarnado para desencarnado
Desencarnado para encarnado
Auto - Obsessão

3 - Fatores que levam à Obsessão:

O que predispõe um espírito (encarnado ou desencarnado) à Obsessão, são as imperfeições morais. Na medida que o espírito se aperfeiçoa moralmente, ele não se predispõe à obsessão.

4 - Quando podemos reconhecer a Obsessão:

Quando sentimos idéias torturantes a se fixar.
Quando sentimos forças interferindo no processo mental.
Quando se verifica a vontade sendo dominada.
Quando se experimenta inquietação constante.
Quando se sinta desequilíbrio espiritual.

5 - Acessos à Obsessão:

Idéias profundamente negativas
Depressão / Desânimo
Revolta
Medo
Irritação / Cólera
Vícios / fumo / tóxicos / álcool
Desregramento sexual
Maledicência
Ciúme
Avareza/Egoísmo
Ociosidade
Remorso

6 - Processo Obsessivo:

O que rege o processo obsessivo é o atendimento à "lei de sintonia", que é a predisposição de atração recíproca, através da emissão e recepção de ondas mentais. A obsessão prolongada pode causar:
Desordens patológicas (doenças)
Loucura
Morte Física

7 - Obsessor e Obsediado:

O estudo da obsessão tem levado à compreensão de que as criaturas encontram-se na grande maioria envolvidas por conflitos do passado.

São enfermos que reclamam tratamento à luz do esclarecimento, pois somente através do perdão das partes envolvidas, poderá desmanchar os liames doentios que os prendem. É preciso notar que os laços são modificados, nunca rompidos. Onde há ódio, passará a haver compreensão, entendimento, paciência. Em benefício desse objetivo deixarão pelo menos, de prejudicarem um ao outro, ganhando com isso, equilíbrio, que os conduzirão ao respeito e futuramente ao perdão total dos compromissos. Fazendo-os continuarem ligados, mas agora unidos pelos ideais de ajuda e quites com a justiça divina.

O Obsessor que guarda hoje sentimento de revolta e vingança, é alguém carente de amor e compreensão.

8 - Desobsessão:

No sentido amplo da palavra significa o ato de curar alguém da obsessão.

A cura espírita da obsessão baseia-se na conscientização do enfermo e do espírito agressor, posto que o paciente, é o agente da própria cura.

Para isso a Doutrina propõe:
O esclarecimento através do estudo
Renovação interior por intermédio da ação do pensamento e da vontade.

9 - Como evitá-la:

( Conheça a ti mesmo)

Através do exercício constante da análise de si mesmo, o ser humano passa a se conhecer, colocando parâmetros entre o que pode e o que não pode realizar. Com isso passa a perceber as induções mentais que não se coadunam com seu modo natural de ser. Quando se conhece, se vigia, não aceitando idéias diferentes das suas. Vivendo de acordo com o preceito de Jesus; "Orai e vigiai, para não cairdes em tentação"

Paulo de Tarso diz: "Tudo me é possível, mas nem tudo me é permitido". Nos alerta através dessas palavras que tudo podemos fazer com o nosso livre arbítrio, mas nem tudo que fazemos se reverterá em nosso proveito espiritual. A sabedoria do espírito é saber discernir entre o que traz felicidade momentânea ou a felicidade eterna. A opção da escolha é sua, não podendo a ninguém imputar culpa posterior.

10 - A família perante o enfermo:

Há que se destacar que no processo desobsessivo, a família assume papel preponderante, podendo colaborar sobremaneira para que o tratamento da equipe de desobssessão surta o efeito esperado.

Ela, na maioria das vezes é a mais afetada pelo problema, não sabendo como proceder com o enfermo.

Por esse motivo são feitas as seguintes recomendações à família:
Paciência com o enfermo;
Ausência de curiosidade sobre o obsessor;
Não atribuir-lhe (ao obsessor) os acontecimentos desastrosos que os visitem;
Não ter repulsa aos perseguidores;
Não desejar que eles (os perseguidores) sofram o reverso da medalha;
Esperar, sem pressa;
Confiar no tratamento dos bons espíritos;
Não buscar meios violentos ou aparentemente rápidos para desalojar o obsessor;
Orar sinceramente em favor do perseguidor.

11 - A desobsessão no centro espírita:

O Centro Espírita é a peça fundamental para o tratamento da obsessão. Para isso deve dispor de equipe experiente para proceder a recepção e o diálogo com os obsessores.

O seu ambiente é impregnado de fluidos salutares que influi positivamente na reforma moral tanto do desencarnado como do encarnado.

Mantendo reuniões evangélicas ou cursos doutrinários para onde devem ser encaminhados os necessitados encarnados. Também trazidos pelo plano espiritual que assiste a casa, os desencarnados envolvidos no processo receberão esclarecimentos. Assim ambos terão bases sólidas para mudarem hábitos e atitudes, condicionando-se a atitudes mentais mais saudáveis.

12 - A equipe

Deverá ser constituída de pessoas totalmente empenhadas no trabalho, para isso superando todos os obstáculos. Com bases doutrinárias sólidas, não se deixaram abater por impedimentos nem da vida social, nem também ligado a querelas do personalismo, nem tampouco os causados por influências espirituais no decorrer do trabalho.

O ideal é que a equipe seja pequena, porque isso favorece a harmonia entre os seus integrantes, mas esse fato não impede uma equipe grande, desde que se tenha um clima de respeito e fraterno entre todos.

A equipe deverá ser constituída por:
Dirigente
Médiuns de Incorporação
Doutrinadores
Médiuns de Sustentação

Todo o êxito da reunião dependerá da equipe, que se não encarar com seriedade o trabalho, poderá sim atrair muitos problemas para si. Com claros prejuízos a todos.

Por isso enumeramos alguns requisitos básicos para se fazer parte de uma dessas equipes:
Interesse pelo estudo
Disciplina
Pontualidade
Assiduidade
Vivência com os postulados Cristãos
Fraternidade
Amor pelo semelhante, etc.

13 - Escala Espírita:

A classificação dos espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições das quais ainda não se livraram. Esta classificação nada tem de absoluta. Neste parâmetro Kardec classificou os espíritos em 3 (três) ordens.
a) PRIMEIRA ORDEM - ESPÍRITOS PUROS

Caracteres Gerais - Predominância do espírito sobre a matéria; superioridade intelectual e moral absoluta.


Classe Única - Espíritos que percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria.
b) SEGUNDA ORDEM / ESPÍRITOS BONS

Caracteres Gerais - Predominância do espírito sobre a matéria, desejo do bem.

Quatro Classes:
Espíritos Benévolos;
Espíritos Sábios;
Espíritos Prudentes;
Espíritos Superiores
c) TERCEIRA ORDEM / ESPÍRITOS IMPERFEITOS

Caracteres Gerais - Predominância da matéria sobre o espírito, propensão ao mal.

Cinco Classes:
Espíritos Impuros;
Espíritos Levianos;
Espíritos pseudo-sábios;
Espíritos Neutros;
Espíritos Batedores e Perturbadores.

NOTA: Enquanto o homem não incorporar em seu comportamento e hábitos as lições de Jesus, a obsessão continuará a existir no meio humano. Com ela, resgatamos os erros do passado, e aprendemos a modificar o nosso relacionamento humano para melhor. Quando superarmos a maldade em nossos corações, saberemos respeitar os direitos do próximo, e a nossa querida terra não mais será habitat de espíritos vingativos e dominadores, que serão banidos por falta de sintonia, da psicosfera. Teremos nos libertado do mal, caminhando rápido para a era do espírito.

Por isso, a vivência das palavras do Cristo, assume caráter imediato e imperativo, para felicidade nossa e do nosso mundo.

Bibliografia:

Apostila de "Obsessão e Desobssessão"- Milton Felipelli e Rubens P. Meira.
Nos Bastidores da Obssessão - Hermínio C. Miranda
Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda
Ação e Reação - André Luiz
Missionários da luz - André Luiz
Vampirismo - Herculano Pires
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
O Livro dos Médiuns - Allan Kardec
O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

SITE DE PESQUISA: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/obsessao/desobsessao.html

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Òsanyìn PARTE II



Conforme prometido na postagem anterior sobre o Grande Òrìsà das folhas, hoje vamos falar porque jamais devemos entrar na mata de mãos vazias, sem pagar à Òsanyìn pelas folhas que pegamos em sua morada.

Antes, porém é importante lembrar que a coleta das folhas deve ocorrer à alvorada (há exceções, nas quais as folhas devem ser colhidas à tarde ou ainda ao anoitecer).


Os "Kawé-o" (aquele que "colhe" folhas), Oníìsègùn (curandeiro) ou o Babalòsanyìn/Olóòsanyìn (sacerdote supremo do culto à Òsanyìn) devem estar de "corpo limpo", ou seja, privados de relações sexuais e em jejum. 

As folhas são sagradas e pertencem a Òsanyìn, sempre que vamos à mata devemos pagar pelo o que estamos pegando. Uma antiga história de Ifá explica que Òsanyìn sempre cobra, jamais faz nada de graça.

Os pais de Òsanyìn não lhe deram roupa após seu nascimento. Quando ele cresceu, foi para a floresta e muito aborrecido fez um trabalho contra o pai, a fim de que ele não pudesse respirar bem. Feito isso, partiu em passeio pelo mundo. O Pai de Òsanyìn ficou muito doente, muitas pessoas tentaram curar-lhe, contudo, nenhuma obteve sucesso na empreitada. Diante das tentativas inúteis, foram procurar por Òsanyìn, que já era conhecido pelo poder de suas folhas.

Quando perguntado se podia curar o pai, Òsanyìn disse que sim, entretanto falou: Meu pai é dono de uma roupa, uma calça e um gorro. Garanto que posso curar-lhe, mas ele deve me pagar com essas vestes. O pai, ofegando, consentiu em dar as roupas solicitadas. Òsanyìn então desfez o trabalho e seu pai foi curado. A partir desse dia, Òsanyìn passou a se vestir com panos, sendo que até então cobria-se apenas com suas folhas. 

Òsanyìn fez, então, um trabalho para sua mãe ter dor na barriga e, novamente, saiu em passeio pelo mundo. À exemplo do ocorrido com o pai, muitos tentaram em vão curar a mãe de Òsanyìn. Diante de mais um fracasso, foram procurar por Òsanyìn. Ele disse: minha mãe tem um pano listrado, de preto, branco e vermelho, para curá-la peço em troca essa veste. A mãe enviou o pano para o filho e ficou curada. 

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Òsanyìn PARTE I


Aproveitamos que essa semana, nossa casa festejará o grande Pai das folhas juntamente como Iroko, para falar um pouco sobre sua história e sua importância dentro do Candomblé.

Òsanyìn é representado por uma ferramenta de ferro forjado, constituída basicamente de uma haste circundada por outras seis, tendo no mastro principal um pássaro. A sacralização da ferramenta/igbá de Òsanyì
n exige do sacerdote um profundo conhecimento das folhas litúrgicas do Candomblé e das recitações mágicas, a fim de "trazer" Òsanyìn ao igbá. Sem dúvidas, o Asè de Òsanyìn é um dos maiores segredos do culto aos Òrìsàs. 
Òsanyìn é originário de Ìràwò, ao contrário do que muitos pensam, é um Òrìsà masculino, sendo erroneamente chamado de "Osanha". O Pai das folhas vive no âmago da floresta ao lado de Àrònì, que também é um exímio conhecedor dos segredos da flora selvagem. Usa um cachimbo feito da casca de "igbin" (caracol) e gosta muito de otí òyìbó (gim) e oyìn (mel). Sempre carrega nas mãos uma rama de Pèrègùn. Suas vestimentas são feitas de Ìkó (palha da costa), folhas e Àdó (pequenas cabaças). 
Òssanyìn é o dono das folhas e, no Candomblé, não fazemos nada sem folhas. Isso já mostra a importância singular de Òsanyìn na nossa religião.

Abaixo, transcrevemos uma antiga história de Ifá, que narra como Òsanyìn se tornou um herbanário:

Ifá foi consultado para Òsanyìn no dia em que Olódùmarè cobriu uma cabaça e convidou a Òrúnmìlà ir descobrir-la e através da consulta ao oráculo, adivinhar o que havia dentro dela. Òsanyìn insistiu em acompanhar Òrúnmìlà, mesmo sendo aconselhado a ficar porque ele estava em dificuldade. Òsanyìn, porém, foi inflexível. Antes que eles chegassem lá, Olódùmarè tocou o sangue de sua esposa com um tecido branco de algodão, guardou em uma cabaça sobre a esteira na qual Òrúnmìlà sentaria ao consultar Ifá. Òrúnmìlà consultou Ifá e disse exatamente o que havia dentro da cabaça branca. Olódùmarè o louvou, aclamando seu poder. Òrúnmìlà, então, pediu que Olódùmarè realizasse um sacrifício. Olódùmarè concordou com o sacrifício. Òsanyìn, emocionadamente se juntou a Òrúnmìlà na procura dos materiais para o sacrifício. Enquanto estava se esforçando para ajudar a realizar o sacrifício, a faca que ele estava segurando escapou de sua mão e caiu sobre a sua perna, fazendo uma ferida muito grande. Òrúnmìlà pediu que levassem Òsanyìn para a casa de Òrúnmìlà. Òrúnmìlà o curou, mas Òsanyìn não poderia usar novamente a perna para trabalhos árduos. Òrúnmìlà teve pena dele e deu-lhe vinte folhas de Ifá para cada tipo de enfermidade, para proporcionar-lhe uma fonte de renda. Foi assim que Òsanyìn se tornou um herbolário e, posteriormente, aprofundando-se na farmacopéia.

Na próxima postagem sobre Òsanyìn, vamos falar porque jamais devemos entrar na mata de mãos vazias, sem pagar à Òsanyìn pelas folhas que pegamos em sua morada.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Àbíkú PARTE II


Na matéria anterior, abordamos um pouco sobre o Àbíkú, esclarecendo que antes mesmo de nascer, eles realizam um pacto para regressar brevemente ao Òrun, após sua estadia no Aye.

Contudo, esses pactos podem ser quebrados por intermédio do Sacerdote, que por meio do jogo, averigua como proceder para fazer com que essas crianças permaneçam o maior tempo possível aqui no Aye.


Toda a nossa religião está fundamentada nos Itans de Ifá (Histórias do Deus do Oráculo). abaixo, transcrevemos um Itan que elucida a importância das oferendas para que os Àbíkú permaneçam no aiyé e não voltem ao Egbé Òrun Àbíkú.

"A dificuldade atinge repentinamente alguém;
Ifá é consultado para llere
Que é o filho de Obirin Abata (mulher pântano)
llere diz que vai ao mundo
Diz que se ele chegar ao mundo
Diz que toda a comida que lhe derem
Ele diz, ele não a comerá
Ele diz, (esta) dádiva ele a comerá no céu
Ele diz, todas as coisas que quiserem lhe dar
Diz que não as aceitará
Ele diz, (estes presentes) no céu ele os aceitará
Diz que não há coisas que o possam reter
Quando ele chegar no mundo
Esta criança é capaz de não morrer assim?
Ha! Dizem, eles (os pais) farão uma oferenda, ele não vai morrer
Eles dizem, a menos que eles não tenham um vaso novo
Eles dizem que eles tenham todas as coisas que a boca come
Que eles tenham um tecido vermelho
Eles dizem, que ele tenha uma tampa de panela, osun, sabão, esponja
Eles dizem quando eles tiverem oferecido tudo isso
Eles dizem que o colocarão rio abaixo
Eles dizem que lá estão seus companheiros que o vão chamar e matar
Eles dizem, é lá que eles vão ficar
Quando eles tiverem prontos, trarão as coisas para oferecer
Quando eles trouxerem estas oferendas
Seus companheiros o esperarão e não o verão chegar
Eles irão ao local pantanoso
No lugar onde se reúnem para se dizer adeus
Eles começarão a chamá-lo
Eles chamarão llere Ô! llere Ô!
Para que eles lhes responda
Ele diz, assim os babalawos disseram
A dificuldade encontra alguém de repente
A desgraça cai sobre alguém
Ifá é consultado para llere
Que é filho de Obirin Abata
Ele diz, quem chama Ilere
Ele tem braços fortes, pés fortes
Eles ouvem, eles dizem ah!
Seus companheiros não vêm ainda
Eles voltam Sua família fez oferendas
Ele não vai morrer
Se é um Àbíkú
Motivo pelo qual esses Àbíkú vão ao riacho
Ou olham o muro
Ou vão ao monte de estrume
Se os Àbíkú chegam
E dizem que têm dor de cabeça
Seus companheiros vêm pegá-lo
Mas, aqueles para quem foram feitas as oferendas
Não abandonarão mais as pessoas 
A história mostra que, diante das oferendas prescritas Ilere poderá permanecer no convívio com os seus pais, sem regressar ao Egbe Orun, para ficar com os demais Àbíkú.

Isso mostra-nos que, apesar do pacto realizado no Orùn, o Babalòrìsà/Ìyálòrìsà por meio da consulta ao oráculo, pode ajudar a criança Àbíkú a permanecer no aye, realizando oferendas específicas com esse objetivo.

Esperamos ter contribuído um pouco para o esclarecimento desse importante tema dentro do Candomblé.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Você já ouviu falar em Orunmila?


Òrúnmìlà é considerado irmão de Olórun, antes de ser chamado de Òrúnmilá, a grande Divindade do Destino era chamada de Ela, a denominação Òrúnmìlà, advém de "Olórun Mo Ela", ou seja, "Olórun reconhece Ela". Abaixo, transcrevemos uma história que fala sobre o assunto:

"Ela era o irmão menor de Olórun, o Deus do céu, que era um comerciante que viajava largamente e negociava muito com escravos. Uma vez, Ela enviou suas crianças para bem longe para negociar com mercadorias e, quando elas alcançaram a fronteira entre o céu e a terra, os escravos de Olórun caíram sobre elas e as despojaram de suas mercadorias. 

Quando Ela ouviu isso, perguntou quem estava roubando as propriedades dele, que estavam com seus filhos? Pegou seu arco e suas flechas e partiu com outros filhos, seus empregados e seus escravos rumo à fronteira entre o céu e a terra. Quando se encontraram, começaram a lutar. 

Todo mundo na terra foi em ajuda de Ela, mas a batalha continuava. No sétimo dia caiu uma pesada chuva batendo em ambos os lados, e ambos se retiraram. No dia seguinte, os seguidores de Ela estenderam suas roupas para secarem e os seguidores de Olórun espalharam suas camisas e turbantes. 

Olórun sentou-se numa cadeira olhando para Ela à distância, e Ela ficou mirando para Olórun, seu irmão mais velho. Nenhum deles reconheceu o outro, afinal, Ela era muito jovem quando Olórun deixou sua casa, mas quando Olórun reconheceu seu irmão, foi até ele e o abraçou. Comeram e beberam juntos, e no dia seguinte, anunciaram que não haveria mais combates. 

Enquanto os seguidores de Ela ainda retornavam para a terra, encontravam gente que continuava a chegar a fim de ajudá-los, perguntando-lhe porque já voltavam tão cedo. E então replicavam: "Olórun reconheceu Ela ontem" ("Olórun Mo Ela Lana"), e, desde então, Ela foi chamado de Òrúnmìlà".

Òrúnmìlà é considerado o segundo de Olodúnmarè (Deus), como bem diz um excerto de um Òríkì: "Òrúnmìlà, Elérí Ìpín, Ibìkéjì Olódúnmarè" (Òrúnmìlà, o testemunha do destino, o vice de Olodúnmarè). Para se chegar à Olodúnmarè é necessária a intervenção de Òrúnmìlà ou Èsù (O Òrìsà do Dinamismo) e isso ocorre por meio da Consulta ao Oráculo.

De certo modo, todas as Divindades são dependentes de Òrúnmìlà, é através da consulta ao oráculo que sabemos o que os Òrìsàs desejam comer, vestir, falar, etc. Quando um consulente/omo Òrìsà quer saber como agradar seu Deus, é através de Orunmila, no Jogo de Búzios ou jogo de Ifá, que ele terá essa resposta. Òrúnmilá é o senhor que tudo sabe e que tudo vê, seja no Òrún (céu) seja no Àiyé (terra).

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

Àbíkú PARTE I - CASA DE OXUMARÊ


Àbíkú PARTE I


Na incessante busca de esclarecer o nosso povo sobre os costumes da nossa religião, vamos falar hoje sobre Àbíkú.

Àbíkú é como chamamos as crianças que nascem para morrer. No Candomblé, acreditamos que quando uma mãe dá à luz a uma criança morta, ou quando uma criança morre precocemente ela é chamada de Àbíkú. 


Cremos que no Òrun, exista uma comunidade chamada "Egbé Òrun Àbíkú" (comunidade das crianças que nascem para morrer). O Egbé Òrun Àbíkú é liderado por Ìyájanjàsá e por Oloiko. Ìyájanjàsá é responsável pelo grupo de meninos que vivem no Egbé Òrun e Oloiko é responsável pelas meninas.

Acreditamos que essas crianças antes de virem ao aiyé (mundo) passam no Òrun pelo "Onibodé Òrun", que pode ser traduzido como "o porteiro do céu". Diante do Onibodé, elas fazem uma espécie de convenção, acordando quanto tempo elas passarão no aiyé até que voltem para o Òrun. Algumas dizem que voltarão ao Egbé logo que nascerem, outras assim que completarem sete anos de vida, outras logo após serem amamentadas e assim por diante.

Em função desse pacto, é fundamental que o sacerdote realize através da consulta à Ifá, oferendas que visem "quebrar" esse acordo que fora feito no Egbé Òrun junto ao Onibodé. É necessário, que ainda grávida, a mãe inicie os cuidados com a criança que está por vir ao mundo, os preceitos a serem realizados são determinados por Ifá. 

Durante toda a vida, o Àbíkú deverá realizar sacrifícios intentando intervir sua partida ao Egbé Òrun. A escolha do nome dessas crianças é realizada de modo que o significado "prenda-a" no aiyé. Em suma, são nomes que enaltecem a criança e que ilustram a importância da sua permanência no aiyé, tais como "Aiyélagbe" (não parta), "Dúrójaiyé" (fique para "gozar a vida"), "Dúrósomo" (fique para ter filhos), "Kòkúmó" (não morra mais) etc. 

Os Itans de Ifá nos ensina que, devemos pendurar nos tornozelos das crianças pequenos guizos chamados "saworo" para afastar as crianças que estão no aiyé, daquelas que ficaram no Egbé Òrun. Também são confeccionados òndè (espécie de patuá) que são carregados pelas crianças, a fim de afastar a morte. As mães também devem realizar sacrifícios de modo que não voltem a ter novos "Egbé". Para o Candomblé, uma mãe que tem filhos Àbíkú, foi estigmatizada por Eleriko e por isso também deve realizar oferendas específicas, objetivando "romper" esse carma.

Não devemos confundir "Àbíkú" (as crianças que nascem para morrer) com "Àbíasè". No candomblé, quando uma grávida está iniciando-se no culto aos Deuses Africanos, a sua criança quando nascer, será chamada de Àbíasè, ou seja, "a criança que nasceu no asè". Não se trata de uma criança "feita no Òrìsà" ou "Àbíkú", mas sim, uma criança que nasceu no culto e que num dado momento de sua vida, passará por rituais específicos de iniciação.

Na próxima abordagem sobre Àbíkú, vamos falar sobre a importância das oferendas para que os Àbíkú permaneçam no Aiye, prolongando ao máximo a sua partida para o Òrun.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Òrìsà Usa Máscara?


Preocupados com o rumo das vestimentas do Candomblé, já publicamos no passado uma nota de forma abrangente sobre esse tema. Hoje especificamente, vamos abordar um pouco a questão de uma nova cultura, que emergiu nos últimos anos, o uso de máscaras nas vestes dos Òrìsàs. Antes de tudo, é importante frisamos que, em momento algum estamos querendo impor nossos costumes às demais c
asas. Mas, por outro lado, estamos expondo nossa opinião, haja vista termos centenas de casas descendentes da nossa e que, muitas vezes, não tiveram a oportunidade de presenciar uma cerimônia na Casa de Òsùmàrè e poder ver como vestimos nossos Deuses, sendo que não tiramos fotos de Òrìsàs.

Temos notado, principalmente, a utilização de máscaras em Obaluwaiye, o Grande Òrìsà da Terra, o que consideramos algo inconcebível, primeiramente por essa Divindade utilizar o Azen (dialeto fongbe). Mas afinal, porque não utilizar a máscara, como observamos em número crescente nos últimos anos?

Na cultura dos Òrìsà, as máscaras possuem um papel muito importante e muito específico, qual seja: Representar a Ancestralidade, seja feminina (Gélédé), seja masculina (Egúngún). Ao usarmos uma máscara, estamos privando as pessoas da nossa imagem, revelando a imagem do ancestral (Gélédé ou Egúngún). Assim sendo, ao vestirmos um Òrìsà com uma máscara, estamos fazendo o mesmo, ou seja, escondendo a imagem de um Deus (o Òrìsà), revelando a imagem de um Ancestral. Ao vestir o Òrìsà com uma máscara, apresentando-o em público, é como levar à sala, a imagem do próprio ancestral (guardada as devidas proporções). É importante recordarmos, ainda, que os Òrìsàs (a maioria), foram divinizados quando ainda viviam, ou seja, jamais serão ancestrais, mas sim, Seres Divinizados.

Novamente, esclarecemos que o Terreiro de Òsùmàrè não deseja em momento algum impor seus costumes religiosos. Entretanto, como uma Casa de Candomblé Tradicional e formadora de opinião, quer elucidar algo que muitas vezes ocorre pela falta de conhecimento e não por maldade.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoado todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

Sasanyin


Na Casa de Òsùmàrè, há uma particularidade singular nas obrigações denominadas Oro, que de forma veemente remete-nos à liturgia Yorùbá, seguindo o mesmo Modus Operandi da terra na qual o Culto aos Òrìsàs nasceu, evocando por meio de rezas, cânticos, Orikis e Ofós, todos os elementos que posteriormente serão utilizados.

Assim sendo, à exemplo do que ocorre na África, todas as substâncias
chamadas transformadoras de Asè, basicamente elementos da natureza, como, por exemplo, as folhas, são evocados de maneira que seus poderes sejam “despertados” e potencializados, para que então possam ser utilizados. Esse ritual, de importância sem-par no culto aos Òrìsàs, denomina-se Sasanyin.

No Terreiro de Òsùmàrè, a Sasanyin precede a imolação. Os membros do egbe (comunidade), liderados pelo seu Sacerdote, entoam cânticos sagrados, objetivando emanar de cada elemento o seu poder mágico e, somente após terem sido devidamente consagrados e fortalecidos pela magia, são utilizados. 
Nesse âmbito, há uma infinidade de cantigas, que não somente enunciam o nome da folha em yòrúba e o seu poder, seja de cura, seja de transformação, mas também evocam os poderes da água, dos animais, etc.

Dessa forma, no Terreiro de Òsùmàrè, bem como na África, acredita-se que para sacralizar os objetos de culto, ou mesmo revitalizar os assentos dos Deuses com o sangue oriundo do reino animal, é necessário que antes, todos os demais elementos sejam “encantados”, por meio das Sasanyin. Essa ideia é fortalecida ao observar a cultura yorùbá, onde crê-se que antes de qualquer ritual, é necessário que todos os elementos sejam encantados por meio dos chamados ofo.

Na cultura yorùbá, os elementos sem encantamento são somente elementos comuns. Para conseguirmos extrair todos os poderes das folhas, elas deverão ser encantadas antes de serem manipuladas. O mesmo ocorre com os animais, com os Okuta (pedras) e tantas outras importantes sustâncias, como o mel, o azeite de dendê, Waji, Osun, etc.

Por essa razão, mantemos viva essa tradição da mesma forma como nossos antepassados faziam. Antes de usarmos, sejam as folhas, sejam os animais, nós os evocamos para que ele possam se comunicar com os Deuses.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

obrigação de sete anos


Na última década houve um exacerbado aumento de Sacerdotes no Candomblé, sobretudo, aqueles que se tornaram Ìyálòrìsàs/Babalòrìsàs, imediatamente após terem concluído sua obrigação de sete anos. Mas será que somente a obrigação de sete anos outorga a um iniciado o direito ao sacerdócio? A resposta é não, vejamos por que.

Criou-se nos últimos tempos, o indevido paradigma de que ao completar a obri
gação de sete anos, o iniciado poderá instaurar o exercício do sacerdócio. Fato é que o sacerdote não nasce quando do término da sua obrigação de sete anos, mas muito antes, quando do seu nascimento. Na rica e bela cultura dos Òrìsàs, acreditamos que trazemos para o Aye (terra), a missão de nossas vidas acordada ainda no Orùn (céu). Em linhas gerais, isso quer dizer que a pessoa traz a missão de se tornar um sacerdote já no seu nascimento, isso está cravado irreversivelmente no seu destino, eles são os Omo Bibi (os bem nascidos).

Dessa forma, as pessoas que são “consagradas sacerdotes”, somente por terem completado o ciclo de sete anos, mas que não traz impresso no seu destino essa missão, poderá causar sério prejuízo a si mesmo e, principalmente aos seus seguidores. 

Um Sacerdote de Òrìsà, além de obviamente zelar pela Divindade, zela pelos filhos dessas Divindades, ou seja, o sacerdote cuida de pessoas. É muito importante destacar esse ponto: “O Sacerdote cuida de Òrìsàs, de Pessoas. Ele cuida de Cabeças”. Nesse sentido, vale salientar que a obrigação de sete anos é um passo muito importante na vida de qualquer Omo Òrìsà e condição sine qua non para um futuro sacerdote, mas não é a obrigação de sete anos que tornará um Omo Òrìsà em sacerdote. Isso deve ser claro a todos.

Mas se não é a obrigação de sete anos que outorga o sacerdócio a um iniciado o que é então? Como dito acima, isso está impresso na memória ancestral daquele indivíduo, ele traz consigo essa missão do Orùn, que será revelada por meio do oráculo ou por voz pessoal do Òrìsà. Em uma primeira leitura, isso pode parecer utópico, no entanto, vamos lembrar a consagração sacerdotal de alguns dos mais importantes nomes do Candomblé.

A reverenciada Ìyálòrìsà do Opo Afonjá, Mãe Senhora de Òsun, recebera a navalha que fora de sua avó Ìyá Oba Tosí, ainda na sua iniciação, sendo que sua Ìyálòrìsà Mãe Aninha, anteviu que ela seria uma sacerdotisa. A querida Ìyálòrìsà do Gantois, Mãe Menininha, foi consagrada Ìyálòrìsà pelos Deuses, que a escolherem e a sentaram no trono do Ile Iya Omi Ase Iyamase, sem a interferência humana. Na nossa casa, o Terreiro de Òsùmàrè, nosso amado Pai Pecê, foi indicado como futuro Babalòrìsà logo no seu nascimento, sendo carregado no barracão pelo Òrìsà Ògún de sua Avó, a inesquecível Mãe Simplícia.

Não queremos em momento algum, dizer que a consagração dos sacerdotes deve ocorrer nos parâmetros mencionados, mas queremos sim dizer que é necessária uma consulta muito acurada ao jogo de búzios, questionando aos Òrìsàs se aquela pessoa realmente deverá ser consagrada sacerdote. É preciso saber se aquela pessoa realmente foi escolhida pelos Òrìsàs para ser um Babalòrìsà ou Ìyalòrìsà, isso é algo muito sério.

Aqui em Salvador, por exemplo, há muitos Egbon (Omo Òrìsà com suas obrigações de 7 anos completadas, mas não consagrados sacerdotes). Esses Egbon, antiguíssimos e de conhecimento requintado da Religião dos Òrìsàs não se tornaram Babalòrìsàs/Ìyálòrìsàs por um único motivo, a saber: Não carregam nos seus destinos essa missão. Esses antigos são felizes por serem Egbon, são felizes por zelar pelos Òrìsàs na casa onde foram iniciados. São felizes por serem consultados pelos mais novos, sobre as histórias do povo antigo. São felizes por dizer: “Eu sou egbon da Casa A ou B”. 

Quando questionados por muitos a razão de não serem Babalòrìsàs/Ìyálòrìsàs, eles imediatamente respondem: “Oh meu filho, eu não nasci com essa missão não, minha missão é ajudar a casa onde eu me iniciei”. Alguns inconformados reiteram: “Mas com tanto saber, você tinha que ser sacerdote”. Esses antigos Egbon, por sua vez, no elevado grau de sabedoria, acumulada ao longo de anos, finalizam a conversa dizendo: “Oh meu filho, saber é o de menos, é preciso nascer para ser”...

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

Ori a Divindade que rege nossa cabeça


Não se fala nunca: Meus olhos são bons, se diz: Minha cabeça é boa!

Orí é sem dúvidas a Divindade mais importante para o Candomblé. Dizemos Divindade, pois Orí, que habita a cabeça do ser humano e que é a própria cabeça do ser humano, é considerado também um Òrìsà.

Orí é a primeira Divindade a ser louvada. Conforme excerto do Itan Ifá que ilustra essa postagem, Ori abençoa o homem antes de qualq
uer Divindade. Nenhuma Divindade abençoa uma pessoa sem o conhecimento de Orí.

Orí é a existência individual de cada ser humano. Quando uma pessoa é iniciada na Religião dos Òrìsàs, é no Orí, por meio do Òsù, que a Divindade que a rege será "posta". Essa ligação dar-se-á por meio do "gbéré". Esse vínculo é somente interrompido quando dá morte do iniciado, quando esse Òsù é retirado, para que a pessoa retorne ao Orun (Céu), da mesma forma que chegou no Aye (Terra). Uma antiga história africana ilustra a importância de Ori, na escolha que as pessoas realizam em suas vidas.

Não se fala nunca: Meus olhos são bons, se diz: “Minha cabeça é boa". 

Quando Olhos e Cabeça chegaram ao mundo, Olhos era o primogênito e Cabeça (Orí) o caçula. Um dia o seu pai, Olodúnmarè, o criador de todas as coisas, encheu uma cabaça de carne de carneiro e de massa vermelha feita com azeite de dendê. Ele a embrulhou em um belo pano de seda e, numa segunda cabaça, ele colocou ouro, prata e pérolas preciosas, envolvendo-a em trapos sujos. 

Olodúnmarè então convidou seus dois filhos para vir escolher cada um, uma cabaça a seu gosto. Olhos escolheu a cabaça envolvida no belo pano de seda, ficando admirado com o brilho. Orí (Cabeça) preferiu a outra, envolta em trapos sujos. Uma vez tirado o tecido de seda, Olhos abrindo a cabaça achou carne e massa, convidando seus amigos para comungarem daquela comida. Orí, por sua vez, desembrulhou a sua cabaça e depois de aberta achou uma camada de areia.

“Como! Pai colocou areia na cabaça! não tem nenhum alimento para que eu possa comer. Que seja! já que foi meu pai que me deu, vou conservá-la assim mesmo”, afirmou Cabeça. E levou-a com todo cuidado para casa. Uma vez em casa, Orí, intrigado, perguntou se a cabaça continha mesmo só areia. Abriu novamente e achou no meio da areia prata, depois achou ouro e muitas pérolas preciosas. “Minha cabeça vale muito mais do que os olhos do meu irmão”, afirmou Orí.

E assim, Cabeça ficou rico. Depois de algum tempo, Olodunmare chamou seus filhos para lhes perguntar: "Então! o que acharam nas suas cabaças?" Olhos respondeu: "Eu, o primogênito, achei somente carne de carneiro e massa". Cabeça respondeu: "Na minha cabaça tem tudo o que representa a riqueza". Então o pai disse: "Olhos, você foi muito ávido, a vista da seda te tocou e você quis tê-la, Cabeça, que refletiu, soube pegar a cabaça envolvida em trapos, mas cujo interior escondia uma riqueza. Doravante, é Cabeça que será o primogênito e você será o caçula. 
Tinha-se o hábito de chamar você (olhos) em primeiro lugar, a partir de agora será Cabeça (Orí) que será chamado primeiro. Orí sempre será louvado primeiro. Desde então, quando se tem sorte, se diz: "Meu Orí é bom" e não mais "meus olhos são bons". 

Além de nos mostrar a importância singular de Orí (Cabeça) em nossas vidas, mostra que jamais devemos nos encantar com tudo que aparece diante de nossas vistas.

Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó